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21.8.13

Um sussurro perdido entre os gritos das capitais




Eu carrego uma metrópole silenciosa dentro do meu peito. E ela pulsa frenética e calma, como um céu azul sem nuvens anunciando tempestade. Meu bem, eu sinto meus trópicos arranhado artérias, as linhas do horizonte cortando os meus pontos de vista, os arranha-céus impedindo-me de ouvir os pássaros que cantam dentro de mim… É possível ver constelações no teto do quarto, e mármore encobrindo Luas? Pois sou incerta demais para caber em uma só realidade, e não me enquadro em teu código de barras por ser sempre de outro ângulo. Afinal, mesmo que eu tente parecer firme, sempre fui uma certeza longe demais dos meridianos e ao sul de lugar nenhum - feito estrela que se gruda no céu por medo de cair, mas ainda assim continua a desaparecer aos poucos entre cidades ofuscantes. Me tornei inaudível e rouca como acordes desafinados de quem não possui um violão: um sussurro perdido entre os gritos das capitais. O lirismo de uma poesia nunca escrita: existente e ao mesmo tempo irreal. Estive pensando nas flores que nascem no asfalto e, depois de tanto atropeladas, se tornam concretas e frias. Nos gráficos de crescente atividade sendo confundidas com escadas para o céu, e nos refletores da quadra da escola escondendo a luz sem sombra dos teus olhos. Tudo ressoa como inexato e bonito, mas fazem minhas fortalezas tremerem e qualquer indício de sanidade ser engolido por seus abismos meus. Me faz querer fugir pra qualquer lugar onde a eternidade dure mais que a vida. Onde os paradoxos sejam mais oníricos e menos cruéis. Eu quase não consigo dormir com as estrelas pingando sob meu rosto, dizendo que o céu não é vazio se tivermos os olhos cheios de sonhos. E é tão difícil compreende-las que eu me reviro ao tentar, enquanto outras milhares de acusações e julgamentos premeditados ecoam aqui. A cidade que existe dentro do meu ser é pequena e interminável, silenciosa e cheia de ruídos. O mundo é findo demais pra caber tantas loucuras, meu bem. E eu não caibo nele como você.
— Unirversos   (via corporizar)

8.8.13

Ajude-me!




Mas é realmente difícil essa coisa de ligar e dizer “olha, hoje eu não ando bem, me ajuda?”. Ah, eu não sei fazer isso direito até hoje! Em parte porque acho que me cobro demais em estar bem. Quer dizer, a peteca cai de vez em quando, mas o dia todo também não dá, entende? Uma reação contra a vida também é responsabilidade minha. Entretanto, se você diz que acha - apenas acha - que não está bem, eu logo trato de resolver a sua vida, não importa o que está acontecendo ou o peso da “peteca”. Eu só não sei pedir ajuda, mas eu ajudo. Não sei chamar, ocupar o tempo do outro, mas é inevitável: eu também necessito de ajuda. Os meus olhos dizem isso, não dizem? Eu quero aprender a ligar, a pedir, a chamar. Eu também preciso.

— Camila Costa

5.8.13

Dessa vez é para sempre






E depois de 4 anos a gente restabeleceu contato, meio que por acaso, mas restabeleceu. Eu continuava achando que você ainda estava distante, apesar de não haver mas nenhum motivo. Então na semana seguinte que nós reatamos nossa amizade, resolvemos marcar uma saída com mais alguns amigos.

E assim que eu fechei o portão atras de mim e entrei no seu carro só conseguia pensar no quanto aquilo tudo parecia certo e eterno e que você continuava aquele meu melhor amigo de infância, porque para mim você continuava com a mesma voz de criança e a mesma risada contagiante.

Passamos na casa de mais alguns amigos e seguimos para a "baladinha", assim que descemos do carro sequer nos olhamos, mas você continuava a fazer questão de escrever meu nome certo e ter meu número na sua agenda.

Você cumprimentou um por um, o carinha que gosta de mim, minha melhor amiga, uma das ex de uma velha paixão minha, a amiga louquinha e por ultimo, eu. No inicio foi algo desajeitado ate que meu abraço se encaixou direitinho no seu, e apesar dos seus mais de 1,70m e dos meus poucos 1,55m consegui sentir o cheiro do seu perfume e fiquei feliz por não ser um aroma qualquer de algum ex amor, o cheiro era único e exclusivamente seu.

Eram meia noite e nos agíamos como quem acaba de se conhecer, algumas poucas palavras trocadas e o seu braço roçando o meu algumas vezes, 1:00 hora e já trocávamos olhares, 2:00 horas e já riamos um do outro, 3:00 horas e o meu abraço encontrou o seu diversas vezes e para minha surpresa você mandava bem numa dança a dois, 4:00 horas e a nossa "ligação" já esta quase toda restabelecida, nós trocamos diversos olhares como quem diz: eu sei bem o que você quer! E eu me sentir invadida com você me decifrando tanto, apesar de todo esse tempo.

O seu sorriso continuava igualmente lindo e aquela vontade de ter sua boca na minha depois de mais de 8 anos, volta aos poucos, mas eu sei que a gente não iria parar por aí, quando eu te quis há uns dez anos atras ninguém soube, quando você me quis há aproximadamente nove anos atras; o querer não era mutuo, mas agora o desejo não é só de boca com boca, é também pele com pele, corpo com corpo, paixão, desejo e saudade.

Cinco e meia da manhã você me deixa em casa.

- ... Tchau! A noite foi ótima.
- Com certeza! Foi um prazer!
(O prazer foi todo meu)

Timpaixao e o ex futuro melhor amigo para sempre



22.7.13

Tão natural quanto a luz do dia





E o eu te amo já é proferido em pouco mais de 4 meses de convivência, era certo que a rotina nos tornaria próximos, mas não íntimos, entretanto em menos de um mês eu já era capaz de sentir que a convivência já vinha de anos, sabe? Quando a gente vai se acostumando com a presença do outro e vai se abrindo e se livrando das mascaras sem ao menos se dar conta, não mascaras de gente mal caráter, mas de gente precavida, que se decepcionou e se magoou com quem menos esperava. 

E quando dei por mim já não continha mais minhas risadas e os palavrões, já era eu. Com minhas bochechas apertáveis e a preguiça matinal. Com os fones de ouvido e os óculos escuro. Com meu sotaque de gente que ama sotaque e pega gírias rapidinho. Com mascaras de cílios e sem batom, só com um blush quando dava tempo. E com a habilidade de me identificar um pouco com todo mundo, de ver na menina rica e humilde a bondade exalada, nas palhaçadas dos meninos a felicidade exaltada e nos abraços matinais o afeto permanente. 

Eu te amo!

Assim livre, sem complemento, descrições ou explicações. Só: eu te amo. Eu te amo pelo simples fato de você ser assim desse jeitinho que bate com o meu. Um eu te amo, leve pra espiritualizar qualquer coração durão demais. 

E a proteção exagerada e a muralha vão sendo ruídas aos poucos, e a gente vai recuperando aquela inocência, aquele se permitir, aquele deixar fluir. Porque assim o coração vai voltando a bater sem ser contido ou podado pelo escudo, e ele vai se sentindo livre, feliz e no seu direito de permitir o amor da forma mais pura e singela possível. 

E de cabeça erguida e peito estufado eu digo que to me permitindo cada vez mais.

12.6.13

TUDO O QUE ANTES ERA PLURAL, JÁ NÃO CABE MAIS NAS LINHAS DOS SONETOS

 
Sobre o amor? Bom, aprendi as coisas mais importantes sobre ele nos últimos minutos. Aprendi que assim como ele pode começar em cinco minutos, também pode acabar em tal tempo. Aprendi que assim como ele prende, ele também te deixa partir, sem explicar, sem entender. Ele faz ver num sorriso mais que lábios e dentes. Aprendi que ele leva, arrasta, bate, levanta e acalma. Aprendi que ele é cínico, cru e sarcástico. Mas também é doce. Doce na percepção e no contexto. Aprendi que ele é morfina, ecstasy e álcool. Mas ele é cura, é solução. É verbo solto, é verbo conjugado. É sentido, é dois, é só dois, é dois à sóis. É complemento, é transitividade, é adjunto. É tudo junto. É passado, presente e futuro. É indeterminação, é certeza. Aprendi que ele também é perdão. Mas que a partir da terceira vez, o perdão já não é mais tão sincero. Aprendi que ele dá medo. Medo que se agarra com os dentes, que se perde com os lábios. Aprendi que a tese, a capa e a contracapa estão descritos em dois atos, conjugados por dois sujeitos. Descobri que é sujeito composto, é aposto, é oposto. Eu aprendi o que é amor, o que é saudade, quando te vi ir, te vi partir, sonegando, abandonando, tudo o que um dia a gente viveu. Eu não sei ao certo como deveria começar contando. Talvez deva falar que estou bem. Mas sei, e você também sabe que não estou. Hoje é trigésimo dia sem você. Relatei cada dia em cartas, mensagens, mas nenhuma jamais chegou até você. Nem vão chegar. A parada foi suicida, foi nostálgica, foi violenta e virou um massacre. Só hoje pensei em fazer umas cinco lobotomias no meu cérebro. Penso em drenar, esvaziar, arrancar, encravar minhas unhas e puxar, todo tipo de lembrança do que se foi. Já pensei em te matar umas cem vezes em qualquer tipo de lembrança que me venha à cabeça quando passo por aquela pracinha que costumava ser NOSSA. Parece que a Miss Cérebro foi lascada, pisoteada, esnobada. Parece não, ela foi. E eu me alimento com essa ideia diabólica de esfolar você, de acabar com qualquer rastro seu na minha vida. Chega a ser patético. Quantos anos eu tenho? Cinco? Acabei de descobrir que papai Noel não existe, é isso? Acabei de descobrir que a porra do amor você socou no cu? Eu já sabia que isso ia acontecer e talvez seja por isso que eu esteja com tanto ódio. Eu me permiti ser levada de forma ímpeta. Eu me permiti correr pela lama, cair de cara e me alimentar com merda. Antes de tudo, eu me causei isso. Fui eu quem deixou você entrar na minha vida, fui eu quem te deu as chaves do apartamento e ainda fui eu quem te observou enquanto você dormia. Eu, a única idiota da história. De cérebro à inexistência. Onde fui parar? Numa rua sem saída? No fundo do poço? Acho que agora eu não desço mais que isso. Impossível. Agora só me imagino subindo, encravando cada unha pelas paredes, subindo e subindo. Eu me imagino te deixando, como você fez. Sem explicar, sem entender, sem se quer pestanejar. Eu me imagino te vendo sofrer no meu lugar. Eu fico aqui me alimentando com essas ideias patéticas enquanto você faz o quê? Coloca todos aqueles ”eu te amo” na privada e dá descarga? Ou ainda conhece outra garota? Uma mais bonita, mais magra e não tão boba, é isso? Você sente falta de mim como eu sinto de você? Você é um homem ou um canalha? Me responde. Só me responda. Venha, com qualquer resposta inútil e mentirosa, mas venha. Venha me alimentar com ilusões, com vaidades, porque eu quero. E eu sou burra e pior que você por isso. Eu fico querendo o que não preciso, o que já deveria ter jogado no lixo e queimado. Às vezes acho que a única forma de acabar com tudo isso é com a morte. Não a minha, a sua mesmo. A sua, a da sua irmã, a daquela sua amiga do trabalho, do seu irmão ou até mesmo da sua mãe. Falo de uma chacina, de acabar com tudo o que me lembra você. De acabar até mesmo com o fabricante do perfume que você usa. Falo de rasgar os modelos de roupas que você usa, do estilo de carro que você gosta. Olha isso… olha só onde vim parar. Estou paranoica com todo o seu pseudo-amor. Ou deveria dizer, ex-pseudo-amor. Agora me diz, o que você fez com todas as mensagens em que você dizia que era pra sempre? Deletou? Mandou pra quem agora? Pra mãe Joana, pra sua vizinha ou pra nova garota da academia? Você anda sentindo o que eu sinto? Você percebe que eu continuo ficando e você continua indo? Onde foi parar aquele cara que eu conheci à algum tempo atrás? Escafedeu, tomou chá de vidrex? O que você fez com ele? Recortou do seu passado, aniquilou do seu presente pra não deixar rastros pro seu futuro? Ou pior, o que você fez comigo? Me empurrou pela janela do quinto andar? É isso? Chega a parecer masoquismo eu ficar aqui, duas horas seguidas, escrevendo sobre você. Só e somente sobre você, me torturando com qualquer tipo de palavra ou sentimento vinculado. O que eu tô fazendo comigo? Estou esperando você ligar? Estou esperando um buquê de flores com um cartão de desculpas como nas outras vezes, é isso? Me diz o que tá acontecendo, me diz porque você me deixou aqui, e continuou seguindo sem mim. Me diz porque você fingiu se importar e, da pior forma, mostrou que eu não signifiquei nada. Me fala porque eu continuo aqui, tentando me explicar, tentando te fazer explicar e não sigo minha vida? Porque eu não consigo sair de casa e simplesmente ir até a lavanderia sem pensar que não levarei mais suas roupas? Até mesmo minha segunda vaga no estacionamento do prédio parece que tá reservada pra você. Parece que sempre esteve ali pra você. Agora me diz o porquê de tudo isso? É sangue sadomasoquista? É loucura ou é burrice mesmo? O avião caiu, o carro capotou, a gente se afogou. Foram mentiras em cima de mentiras, promessas em cima de promessas, e no final, não foi nada pra você. E foi tudo pra mim. Eu lembro que eu ia ao salão toda semana, ia à academia todo santo dia. Pra quê? Pra ficar bonita pra você? Pra perder meu tempo tentando agradar alguém que nem sequer notou quando eu cortei o cabelo? O que eu fiz de mim? Agora, o que eu faço? Chamo um gari pra varrer você e todo seu lixo que ainda estão em mim? Não importa o que eu arquitete, o que eu diga ou os meus milhares de devaneios, a resposta é única, simples, crua, e dói: você nunca esteve aqui como eu imaginei. Você estava aqui, mas não estava também. Foram tempos de namoro em solidão, trocando passos com traições. Mas só eu não percebi. Eu quis acreditar que ainda existia algo verdadeiro em você por mim, por nós. De nada adiantou. De nada me serviu. Agora eu não sei do que preciso mais: de um dorflex pra acabar com toda a dor causada pelo peso de tudo isso, de uma massagem, de um colo (do seu colo) ou da minha cama. Da sua cama, da nossa cama. Admito que ontem senti sua falta. Mas senti de forma diferente, sem ódio, sem rancor. Senti falta do cara que conheci e por quem me apaixonei. Do cara que acordava todo dia ao meu lado, que era doce. Doce no contexto e na percepção. Admito que também passei a te entender, quer dizer, eu causei isso também, não é mesmo? Eu e você. A gente tem mania de matar a alegria com todas essas análises superficiais de momento. Buscamos problema onde não tem. E então a gente acha. Acha o que não queria ver. Acha porque tem essa mania besta de querer ter explicação pra tudo. A gente torna o simples complicado, a gente aglutina na gente toda essa ideia de que não vai dar certo. Porque não conseguimos ver a felicidade sem se embaraçar num futuro final. É sempre esse mesmo egoísmo que visa certeza. Criamos conceito pra tudo que ficou, acabamos com tudo aquilo que deveria nos fazer estremecer, que nos deveria fazer ababelar. A gente vive na paranoia de que algo de ruim está por vim, e não conseguimos aceitar que uma vez na vida as coisas estão dando certo. Então, causamos canseira na vida com essa tolice, com toda essa babaquice. A gente sufoca, sonega, oculta, tudo dentro da gente, por medo de ser feliz. Por medo de nos permitir ser feliz. E foi só isso que conseguimos: acabar com tudo, porque procurávamos o que não existia. Se eu te falar que ainda lembro do primeiro dia que te conheci, você acredita? Do primeiro dia em que tive certeza de que era você. Era você, com aquela sua camisa preta, barba e ray-ban. Era você, eu tinha acabado de perceber, de encontrar. Mas por onde você anda agora? Não somos mais nem amigos, colegas, conhecidos. Por que você não me telefona e diz que não tá bem? Que também sente minha falta? Por quê?
Eu lembro, nitidamente, da primeira carta que escrevi pra você. Era uma melancolia e medo de tudo isso que agora é real, nos primeiros segundos que ficamos juntos. Ela falava bem assim: ”São seus abraços, seu sorriso, até mesmo seu sarcasmo. É a soma, é a multiplicação. É o acréscimo que me tornei com você, é a divisão dos problemas. É todo esse cálculo matemático que nos tornamos. Mas é também o poema, a música, o êxtase. É morfina. São as palavras rimadas e as variações. É um todo. É um nada. É o avesso, mas também é o lado certo. É a história do ontem. A nossa história. A geografia do teu corpo, a ciência dos nossos atos. É impacto. É linguagem. É o teu inglês inventado, é a circunstância variada. É a contradição que tanto faz sentido, é a confusão que nos traz paz. É o abismo que nos leva até o alto. É a minha filosofia, é a tua ideologia, é a nossa junção. É você, sou eu, somos nós. Tudo conjugado na primeira pessoa do plural.” Parece que eu ainda tô vendo o seu sorriso ao ler isso. Mas agora, talvez só agora, eu tenha percebido que você não era tudo isso. Que você não era exatamente com quem eu deveria estar. Talvez o cara certo esteja por aí, me procurando, e eu nem tenha notado porque só conseguia te observar. Talvez ele seja o carinha da padaria ou aquele vendedor da Chilli Beans. Talvez até seja um vizinho. Ontem eu vi um moço aqui no prédio. Eu nem sei dizer a quanto tempo ele estava morando aqui, mas sei que hoje eu reparei nele. Reparei na forma como ele sorriu, de um jeito diferente do seu, mas que me causou uma tremedeira de outro mundo. Ele tinha algo especial. De repente era a forma dele andar com aquele violão nas costas, ou ainda os olhos dele. Ele sorria pelos olhos. Hoje, pela segunda vez, eu o vi. Ele falou comigo. Ele e eu, eu e ele, era uma timidez absurda, mas que dava certo. Causava aquela ideia de ”borboletas no estômago”. Será que eu já tô te esquecendo? Será que ele era o cara certo? Pra ser sincera, não faço ideia do que é ou deixa de ser, mas tenho certeza que de alguma forma, ele me faz querer te esquecer. Talvez seja a poesia dele, a voz rouca ou ainda um sinal no canto da boca. Mas eu tenho medo, no fundo, eu tenho medo. Vai que ele é que nem você, que eu também sou só uma desculpa pra ele. Ou pior, o que você pensaria me vendo assim? Talvez eu esteja sendo rápida demais te esquecendo, talvez eu tenha achado-o como desculpa pra te esquecer. Será que as coisas ainda giram em torno de você? Será que eu já te esqueci e aniquilei? Depois de trinta dias chorando, eu sinceramente, espero que sim. Pior, eu espero que você já tenha um outro alguém que te faça feliz de uma forma que eu não consegui. Parece loucura, e talvez seja mesmo, mas é isso que te desejo. Parece que todo o meu rancor e ódio que sentia por você acabaram, sumiram. Eu acho que finalmente fui capaz de entender tudo. Tenho certeza de que o tempo juntos foi bom, foi suficiente, mas tinha que acabar. Já estava entre o morno e o frio. Foi melhor pra você e foi melhor também pra mim. Não foi fácil entender. Tive que passar por poucas e boas até chegar a essa conclusão. Quer dizer, eu não posso passar a vida toda chorando por você, não é mesmo? Eu não posso e nem quero mais. Já chorei o que tinha que chorar, sequei. Eu sei, por mais que eu tenha tentado negar, você sempre teve um outro alguém em mente. Você só me queria como amiga, ou como alguém pra acabar com uma dor passada sua. E eu acho que eu também te queria, porque via em você algo que nunca vi em outro cara. Mas eu não quero e não posso mais ser só uma anestesia na sua vida. Sabe, essa história de ser só desculpinha dos outros, de não ser um tudo de alguém… não quero que isso entre na minha biografia. Eu só quero alguém que me faça entender que sou especial, que me ame na mesma medida que eu costumo amar. Eu sou boba por me apegar tão fácil às pessoas, por acreditar que elas também me amam. Eu ainda não aprendi a diferenciar entre ”gostar” e ”amar”, e é por isso que eu me ferro tanto. Mas afinal, o que é o amor? É criar melodias, é manter saudade, é compartilhar? Eu não sei, depois de tudo, eu ainda não sei te dizer o que é. Só sei que sinto - e como sinto. Mas explicação alguma cabe dentro de mim, e um dia, se eu chegar a entender, acho que já vai ser tarde de mais. E já me adiantando: prefiro ser essa sanfona de desentendimento, mas que soa qualquer tipo de amor.
 
Carolina F.

2.5.13

Namore um Cara que Lê

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“Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras.

Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê.

Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar.

Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos best-sellers são assunto proibido. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo –e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil.
Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e –talvez não admita– sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesma, você mesmíssima, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande heroína. Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances.

Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência.

Um namorado que lê gosta de muita coisa, mas, na dúvida, é fácil presenteá-lo: livro no aniversário, livro no Natal, livro na Páscoa. E livro no Dia das Crianças, por que não? Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo.

E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre.

Entenda que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar –com o coração aquecido– para o seu lado. Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio.

Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouví-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho.

Namore um cara que lê porque você merece. Merece um cara que coloque na sua vida aquela beleza singela dos grandes poemas. Se quiser uma companhia superficial, uma coisinha só para quebrar o galho por enquanto, então talvez ele não seja o melhor. Mas se quiser aquela parte do “e eles viveram felizes para sempre”, namore um cara que lê.
Ou, melhor ainda, namore um cara que escreve.” 
 
(via trecho-de-livros)

27.4.13

Que as coisas se mantenham constantemente inconstantes



Que eu continue com vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, uma lição difícil de ser aprendida. Que eu permaneça com vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que com as voltas do mundo eles vão indo embora de nossas vidas. Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas mesmo sabendo que muitas delas são incapazes dever, sentir, entender ou utilizar essa ajuda. Que eu mantenha meu equilíbrio mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo escurecem meus olhos. Que eu realimente a minha garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes tão fortes quanto sucesso e a alegria. Que eu atenda sempre mais à minha intuição, que sinaliza o que de mais autêntico eu possuo. Que eu pratique mais o sentimento de justiça mesmo em meio à turbulência dos interesses. Que eu manifeste amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige muito para manter sua harmonia. E acima de tudo que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte dessa maravilhosa teia chamada vida criada por alguém bem superior a todos nós! E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos de alguns e sim nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós.
Chico Xavier.  

23.4.13

A mulher segundo Arnaldo Jabour



É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranquila e saudável, é desencanada e adora dar risada.
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite?
O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade!
Arnaldo Jabour.

22.4.13

Quero morrer feliz



Sempre fui de me doar. Ouvia, ajudava, consolava, me importava. E não foram poucas as vezes que, mesmo em segredo, eu deixava de pensar na minha vida pra ajudar os outros. Em segredo, explico, porque não acho que preciso de medalhas, prêmios ou troféus. Se eu faço, é de coração, sem esperar reconhecimento do outro. Mas, perdão, eu sou humana e sinto. O mínimo que a gente espera é gratidão. Aprendi que ela nem sempre aparece. Aprendi que às vezes as pessoas acham que o que a gente faz é pouco. Por tanto aprendizado, acabei descobrindo que é melhor eu cuidar mais da minha vida e menos da dos outros. Não quero morrer santo, quero morrer feliz.
Clarissa Corrêa. 

21.4.13

Então, cometa muitos erros...

 
Quando tínhamos cinco anos nos pediram que disséssemos o que queríamos ser quando crescesse. Nossas respostas foram coisas como astronauta, o presidente, ou no meu caso, uma princesa. Quando estávamos com dez anos, eles perguntaram novamente. Nós respondemos a estrela do rock, cowboy, ou no meu caso, medalhista de ouro. Mas agora que nós crescemos, eles querem uma resposta séria. Bem, quem diabos sabe? Este não é o momento de tomar decisões duras e rápidas, esta é a hora de cometer erros. Pegar o trem errado e ficar preso em algum lugar. Apaixone-se … muito. Se interesse por filosofia, porque não há nenhuma maneira de fazer uma carreira além disso. Mude sua mente e mude de novo, porque nada é permanente. Então, cometa muitos erros, como você pode. Dessa forma, algum dia, quando voltarem a perguntar o que queremos ser, não teremos de adivinhar. Nós saberemos. 
Jessica Stanley 

30.3.13

Aquilo que a gente escreve quando está prestes a transbordar

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Eu tenho uma teoria de que pecados não deveriam ser apenas 7. Como se impedir que nós fossemos em busca da nossa felicidade também não pudesse ser considerado um pecado. É pecado sim, e um dos piores. Consciente ou não as pessoas que nos impedem de ir em busca da nossa felicidade, estão pegando nossos sonhos e picotando como de fossem feitos de papel e não carregassem valor algum. O que na minha humilde e conturbada opinião, não deixa de ter um peso igual ou pior do que um pecado, é desumano destruir os sonhos alheios. Algo que não deveria se deixar impune. Exilio aos que pecam destruindo os sonhos das pessoas. E que seja feita justiça, pelo menos uma vez na vida. Não é pedir muito, é?!

17.9.12

A Primeira Vez



Você sempre me disse que sua maior mágoa era eu nunca ter escrito um texto sobre você. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa. Você sempre foi o único homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado. Você sempre foi o único amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o único que sempre entendeu também, depois, eu dormir meio chorando porque é impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo. Outro dia eu encontrei um diário meu, de 99, e lá estava escrito “hoje eu larguei meu namorado sentado e dancei com ele no baile de formatura”. Ele, no caso, é você. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para você, eu por diversas vezes larguei vários namorados meus, sentados, e dancei com você. Porque você é meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tímido e desajeitado. Depois encontrei uma foto em que você está com um daqueles óculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas “bailarina”. E nessa época você não gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de você porque você tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridícula na foto mas senti uma coisa linda por dentro do peito. Aí lembrei que alguns anos depois, quando eu já não era mais a bobinha da classe e sim uma estagiária metida a esperta que só namorava figurões (uns babacas na verdade), você viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridículo. Mas foi menos ridículo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. Você saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo. Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do Vinícius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar com você e com mais metade da cidade, você me deu aquele cartão postal da Amazônia com um tigre enrabando uma onça. Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu já ouvi na minha vida “eu sei que você não gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assim”. Talvez eu devesse ter escrito um texto para você, quando eu te pedi a única coisa que não se pede a alguém que ama a gente “me faz companhia enquanto meu namorado está viajando?”. E você fez. E você me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios fazia isso com você mesmo. Talvez porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo. Depois você começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para você. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso. Depois eu também podia ter escrito sobre aquele dia que você me xingou até desopilar todos os cantos do seu fígado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim. Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você. Até hoje. Até essa manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida cheia de coisas que não são ela. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você deixou eu te olhar, mesmo você não gostando de mim. E foi por isso, porque você deixou de ser o menino que me amava e passou a ser só mais um que me usa, que você, assim como todos os outros, mereceu um texto meu.” 

 —A Primeira Vez, Tati Bernardi 

14.9.12

As Coisas Mais Banais Do Mundo



“Blé. Eu ainda lembro de nós dois esparramados no sofá às 17:00 de uma terça-feira, vendo Friends — já que é a nossa série favorita — e levantando 17:03, para fazer um misto quente, porque é a hora que tem a vinheta e tem o comercial logo após. Comíamos e ríamos como duas crianças de 8 anos e quando dava 17:58 e já tinha acabado, íamos na rua jogar aquele jogo de fliperama perto da praça que você tanto gosta porém nunca consegue bater o recorde da casa. Fraco. Eu sempre dizia num tom irônico e baixo porém ainda esperando que você ouvisse. Imbecil. Você sempre respondia como se gostasse de cada provocação minha. Mas éramos dois ingênuos. Duas crianças. Acho que foi isso que sempre gostei na gente. Simplicidade. Pequenos gestos. Quase mínimos. Mas que me deixava acordada fazendo e refazendo aqui na minha mente. Me lembro também quando a gente saía da loja de fliperama depois de uma derrota mais do que linda — diante do meu ponto de vista, é claro — e íamos direto pro subway comer aquele sanduíche de frango que você tanto apreciava, como se o misto quente das 17:03 não tivesse bastado. Gordo. Só pensava em comer, comer, comer, comer, como se a comida fosse suprir algo que estava faltando ali dentro — que sinceramente eu até hoje não descobri — E então a gente conversava das coisas mais banais do mundo pra não ficar um ambiente constrangedor. Mas o que a gente não sabia é que não existia constrangimento algum quando estávamos perto um do outro. Porque, logo após você terminar o seu sanduíche de frango-seco-tipo-subway eu dizia “Me leva pra casa” e me perguntava a causa do seu “Por quê?”. Se era preguiça de levantar o rabo gordo da cadeira ou era por realmente acreditar que minha casa é aonde você está. Mas uma coisa é certa; quando a gente ama a gente fica bobo. E eu meio que sou a prova viva disso. Quando a gente ama, tudo é um sinal, desde aquela mísera troca de olhares de no máximo 2 segundos até toda palavra que sai da boca da pessoa. Mas nós éramos como Chandler e Mônica. É. Você era o meu bobão e palhaço com medo de qualquer tipo de compromisso que me fazia rir cada segundo de cada minuto de cada hora de cada dia. E eu era a sua Mônica histérica com minhas manias mais incontroláveis e absurdas que gostava de ter alguém como você por perto. Mas também éramos como Ross e Rachel. Ambos sabiam que os seus destinos estavam traçados desde sempre porém não se entregavam. Tínhamos lá nossas diferenças e personalidades absurdas mas sabe como dizem né? Peça de quebra-cabeça pra se encaixar não pode ser igual.Mas agora falando sério, repassando tudo, eu realmente achei que você fosse se apaixonar por mim. Que no meio de uma das nossas gargalhadas vendo Friends depois de uma fala engraçada do Joey, você iria me olhar e perceber que nossas risadas formam sintonia, que quando visse aquelas brigas de we were on a break de Ross e Rachel ia perceber que daria tudo para ter do mesmo tipo comigo, nem que seja fazendo papel de bobo tentando reatar pela milésima vez. Porque eu realmente acreditava que depois de eu te chamar de fraco em mais uma derrota bem sucedida no fliperama você iria dizer “seu fraco”. — BLÉ, CLICHÊ.— Eu realmente esperava que em uma dessas idas e vindas ao subway para saciar sua absurda vontade de sanduíche de frango você iria finalmente admitir que queria fazer isso pelo resto da vida comigo e que no caminho de casa ao invés de se distanciar esperando que eu pegue finalmente a chave perdida na minha bolsa, você iria ter a atitude de me puxar pra perto e bancar uma de “ladrão”. Mas eu tava certa. Você realmente é fraco. E se prestasse atenção nas coisas que eu falo, saberia que eu não gosto de garoto maromba. Eu me amarro é num fraco mesmo. Nesse fraquinho aí. Esse que mal sabe se entregar a um sentimento.A verdade é que não sei se você esperava isso, mas me apaixonei por você. Mas como diz o outro, “quando a gente se apaixona até os defeitos se tornam qualidades”. E lá estava eu, apaixonada desde seu sorriso que é meio torto de lá e cá dependendo da situação e o seu cheiro de roupa limpa já que não usava perfume porque tinha alergia, até a sua mais insuportável mania de roer as unhas. Até que era bonitinho. Mas olha só que tola, logo eu que sempre me vi tão independente diante do mundo me vi dependendo de você. Mas devo admitir que eu nunca fui do tipo de pessoa mimimi sabe. Não fiz planos para nós e nem planejei casamento. Não sei aonde moraríamos e muito menos o nome dos nossos filhos. Porque expectativas atraem decepções. Decepções atraem corações partidos.Mas eu sei. Você não vai aparecer no meio de uma aula de biologia com um buquê de flores me pedindo em namoro, nem vai tacar pedrinhas na minha janela de noite para eu ver a serenata que você preparou com um cara de 50 anos, espanhol, quase engasgando com o próprio bigode e tocando violão enquanto você canta minha música favorita do John Mayer. Você não vai, até porque têm vergonha de cantar e do jeito que é burro tacaria um pedregulho e quebraria minha janela.Mas escreve aí: A gente se amava. Ô se amava. Mas eu não acreditava, e você não sabia.”


— Because he’s my lobster, Brenda França - R. Shit

4.9.12

Você acha que é quem pra me abalar assim?





Você aí, com essa alegria terrível de viver e jorrando beleza e graça pra cima de mim. E eu aqui, arqueada pelo tanto que carrego de mundo e suas rasteiras. Você acha que é quem pra me abalar assim? Eu li muito mais livros que você. Conheço mais países e pessoas e gemidos e vontades de morrer. E você com tanta graça pra cima de mim. Percebe que não vai ser fácil? Vou dificultar bastante pra você. Até porque é só o que eu posso contra essa coisa fácil e linda que é a sua vontade. Contra você eu só tenho a minha impossibilidade. Como se todos não a tivessem. Contra seus olhos que sorriem e isso me mata tanto, só tenho a parede nojenta que criei pra você jamais descobrir que sempre compro duas entradas para o concerto. Na espera do que não quero.
Tati Bernardi 

3.9.12

Amor é uma droga que se sente



“Já pararam pra pensar que em vez comparar o amor com tais frios na barriga, pernas tremulas, coração acelerado, por que não comparam ele a algo mais real, algo que ele realmente seja, uma droga. Digo, como se fosse um crack. Sabe, qualquer uma dessas drogas, a diferença é que não vem em erva, pó, ou se ingere, amor é uma droga que se sente, é das piores, tão forte quantos as outras, até mais.
 No momento em que você vê pessoas amando, você realmente não sabe qual o significado daquilo, por que em filmes de comédia romântica se mostra algo perfeito, já entre casados ou adolescentes se mostra um tipo de drama depressivo ou um enorme erro que acaba com a sua vida. Como uma droga, você vê pessoas usando e dizendo o quanto é bom, já outras você vê “o fim de uma vida”, o amor é exatamente assim — só que bom ou não sempre vai acabar com a tua vida.
Quando se prova o amor ele parece bom, ele parece perfeito, de uma forma viciante, mas como usar crack, os dois são do mesmo jeito, um ciclo.
Você ama, você gosta, você se joga de cabeça por que você quer mais, quer sentir aquela sensação novamente, você se entrega como se confiasse naquilo, como se você se alimentasse dissoe você cria um tipo de ilusório, dizendo a si mesmo “não faz mal, não faz mal.”, até que chega o ponto em que quem te dará o amor se vai, a droga que tu usavas não dá mais aquela“sensação ótima”, te causa estragos dentro de ti, tão forte quanto se jogar de um prédio construído em uma rua de pedras, é uma sensação inexplicável, horrível. Assim o amor e tua droga, se tornam algo como uma arma, por que amor é uma arma quase não tem diferença, amar e não se machucar é o mesmo que espera que a arma esteja carregada, apontada pra você, atirar e esperar que não te fira; mas fere, o amor e tua droga, se torna algo em que você devia se manter afastado… Mas como eu disse, amar e se drogar é um ciclo, você se afasta depois da sua primeira overdose, mas volta, na primeira oportunidade que te oferecem o amor ou a droga, e assim volta deis do começo, até você morrer, até seus pulmões, suas veias, seu cérebro, seu eu, principalmente seu coração não aguentar mais, então você morre. Amar e morrer não tem tanta diferença, só uma, que quando se ama, está morto, mas apenas por dentro. Amor e droga, não há nenhuma diferença, por que os dois sendo bom ou não, vão te destruir no final.”

Lucas  — (s-stupid)

13.7.12

O que aconteceu com a gente?



Ontem a noite a gente conversou ou pelo menos tentou conversar, admito que eu inventei uma historinha pra ver se aquele dialogo nosso pelo menos iniciava, e não é que deu certo? Faziam mais de anos que nós não tentávamos pelo menos conversar. Nesse meio tempo os nossos diálogos se resumiam a: feliz Natal, feliz ano novo e feliz aniversario. Nunca entendi porque a gente parou de se falar e também já desistir de entender. Mas ontem me deu uma saudade imensa de ti, senti falta das nossas conversas, da forma como você conseguia arrancar um sorriso meu, da forma que mesmo distantes ainda pertencíamos um ao outro. 

Você contou umas piadinhas de humor negro e eu ri, eu te joguei charme e você retribuiu, você alimentou aquele flerte. E ate ai estava tudo bem, mas só pra não perder o costume a gente começou a discutir, é sempre assim, não sabemos manter a conversa num tom amigável, eu joguei um "É por essas e outras que as amizades acabam!" mas foi brincando, eu até ri depois, mas você não entrou no clima e foi cruel comigo, mandou um "Eu prefiro que acabe mesmo se for pra continuar assim!". E o clima pesou, eu pedi desculpas, disse que eu estava só brincando contigo, mas você não comprou essa, eu senti que você tinha ficado chateado e isso fez com que eu me sentisse mal. 

Te chamei daquele apelido que você me chamava quando a gente tinha mais intimidade, mas mesmo assim você continuo chateado. "Se você foi minha amiga mesmo, deve saber que eu não fico chateado por qualquer coisa." Você disse quando eu pedia desculpas pela milésima vez. Mas porra, eu fui sua amiga sim, lembra? Melhores amigos até! Parece que foi você que esqueceu disso, você me falava das garotas, e eu te falava dos caras, você me perguntava sobre as minha intimidades e eu te contava, porque éramos amigos, entende isso, eu conhecia cada centímetro teu, cada preferencia tua, teu humor, teu cheiro, teus sorrisos. 

Porque alem de amiga eu era tua, cada suspiro meu era pensando em ti, cada sorriso meu era provocado por você, minhas birras eram só pra você vim me abraçar, meu amor era teu. Agora me diz, o que aconteceu com a gente? Com tudo aquilo que a gente compartilhou? Foi jogado ao vento? Ou foi embora junto comigo quando eu mudei de cidade? Tu sabe que não foi uma escolha minha não sabe? Você sabe que eu sempre preferi a ti do que aquela cidade nova, não sabe? Principalmente depois daquele seu "Ei xarope, te amo!" 

Você nunca foi de dizer eu te amo, mas você me disse, e eu senti uma paz imensa dentro de mim. Eu sei que você talvez nunca chegue a ler isso aqui mas eu queria te dizer que te amo, sempre te amei, os anos não fizeram nada alem do que amadurecer esse amor que eu sinto por ti, porque você foi o primeiro, aquele que eu nunca vou esquecer, aquele que hoje eu quero ver feliz, aquele que eu quero que não estrague com a própria vida, aquele que eu quero que tome o rumo certo, aquele que eu sempre vou me preocupar, aquele que eu sempre vou me sentir atraída, aquele que eu sempre vou querer cuidar, aquele que eu sempre vou querer bem. E "ei xarope, não se perde mais de mim não."


10.7.12

Mas ele não vai esquecê-la



“Ele sai sábado a noite e conhece três ou mais garotas diferentes; uma loira, uma morena, uma ruiva. Talvez uma asiática também. Leva pra cama a mais fácil. Bebe, enche a cara e fica bêbado o suficiente pra sentir o ego inflar no peito. Porque ele precisa disso. E é exatamente assim que todas essas garotas fazem ele se sentir. Ele conhece o acaso, se interessa por alguma mulher com corpo escultural e que dê atenção pra ele no domingo a tarde quando ele não estiver afim de assistir futebol. E liga pra ela as 3 da madrugada quase todas as noites para ocupar a cabeça e tentar fazê-la cair na dele. E ela cai. Porque ele é irresistível e tem um perfume maravilhoso. E com você ele não era assim. Chegava cansado em casa, estava ocupado a tarde nos fins de semana, às vezes até mentia só para ter que evitar sua companhia. Não atendia o celular e ficar acordado até as 3 da madrugada só se ele estivesse bêbado e em alguma festa com os amigos. Ele joga aquele mesmo papo de “você é linda” para quase todas as garotas e sabe exatamente como e onde isso te afeta. E você sente um ciúme carnal de todas as garotas pra quem ele dá atenção e do telefone dele tocando 24 horas por dia. Ele não age como se ainda se importasse com você, como se você fosse a garota mais linda do mundo e nem mostra lembrar de como era feliz, quando mesmo depois de estar cansado, ocupado ou mentir pra você, ainda era no seu nome que ele pensava quando diziam “faça um pedido”. Ele sempre odiou suas crises de ciúme, seu drama, sua falta paciência, seu jeito grotesco de criticar as amizades dele e de como impunha que atenção dele fosse totalmente sua. Ele sempre odiou suas manias chatas e aquela frescura de não-toque-em-mim-pois-sou-sensível-demais. Odiou sua comida ruim, seu sono exagerado e você não deixar ele ir a academia sozinho. Mas ele sempre amou você. Ele te despistava nos sábados a noite, mas queria passar o domingo inteiro com você. Ele pegava a primeira loira gostosa que via, mas seu telefone sempre tocava antes de dormir. Todas as noites. Inclusive na noite em que ele dormiu com a loira gostosa, a ruiva elegante e a morena superficial. E ele sempre dizia que te amava, que queria seu cheiro, seu abraço e que sentia sua falta. E você cedia. Você dizia “eu não vou mais atender”, “não vou mais me importar”, “não vou mais perdoar”, mas bastava ele dizer que era você que ele queria que você simplesmente cedia. Agora ele passa por você e levanta o queixo, enquanto você só observa. Ele tem sempre uma distração, uma amiga legal, uma festa bacana, um litro de vodca, uma música animada no celular, uma garota por quem ele se apaixone. E outra que seja caidinha na dele. Ele não te liga mais de madrugada, não atende seus telefonemas e você senta na cama com a cabeça cheia de “por que eu?”. Ele tem uma facilidade imensa de amar fácil, de querer fácil e fazer qualquer idiotice. E você ainda respira fundo e pensa “por favor, sinta minha falta”. Ele não se pergunta nada, ele tenta não pensar em você e faz de tudo pra te esquecer. Mas quem vai aturar aquele estado dele de eu-não-preciso-de-ninguém? Quem vai segurar a mão dele antes de dormir, mesmo bêbado e fedendo a cigarro e quem vai ficar mais um pouquinho sempre, mesmo sem ele pedir? Quem vai respirar fundo e contar até 10 só pra tentar fazê-lo ficar todas as noites, quem vai atender o telefone as 5 da manhã e ouvir ele reclamar daquelas mesmas coisas chatas de sempre? E quem vai pegar no pé, fazer birra e dizer a ele que essas garotas são péssimas pra ele? Quem vai fazer cara de criança de 5 anos e implorar um pouquinho de atenção sempre que ele quiser se sentir amado? A loira gostosa que ele comeu depois de uma festa, bêbado? A morena superficial que passou o número errado ou a que ficou no domingo inteiro porque ele estava entediado? Será que ela fica quando ele disser alguma coisa sem sentido só para afastá-la? Será que ela sempre vai insistir mais um pouquinho, e mais um pouquinho todos os dias? Quem vai acordar de manhã só porque o telefone toca as 7 horas quando ele perder o sono? Quem vai conhecer ele tão bem quanto você? Dá cabeça aos pés, até o último fio de cabelo. E quem ainda vem pensar quietinha todas as noites “eu podia fazer você inteirinho feliz”? Mas ele ainda tem a cama macia, a amiga simpática e o sexo casual. E pode se apaixonar por qualquer uma que dê atenção a ele durante os dias. Mas ele não vai esquecê-la como quem quebra, varre e joga para debaixo do tapete.”

— Rafaela Marques

1.2.12

Ela será eterna




“Ela será única. Você conhecerá outras pessoas, terá um flashback com a sua ex namorada, terá uma nova namorada, mas ela continuará sendo a sua preferida. Provará outros beijos, se sentirá frustrado, algumas vezes, ao perceber que aquela loira linda da festa não beija tão bem assim. Passará a mão em outros cabelos, alguns mais longos, outros mais curtos, mais cheios, mas de qualquer forma, sentirá falta dos cabelos dela, que de tão pouco se perdiam nos seus dedos. Você sentirá outros perfumes, amadeirados, cítricos, doces, e sentirá falta do cheiro da pele dela, que tinha um cheiro tão bom que te fazia fechar os olhos e suspirar fundo. Você chorará, toda noite, baixinho, sentindo a maior saudade que você já sentiu em toda a sua vida. Olhará para os lados, verá a vida passando, e sentirá uma falta quase mortal da vida que ela te proporcionava todos os dias. Você entenderá que a amava. Você entenderá que a ama. Você entenderá que ela será eterna. E-t-e-r-n-a. Você, ao conhecer outras com o mesmo nome, sentirá um aperto no peito ao dizer que esse nome é lindo, sentirá suas mãos tremerem ao lembrar que dizia que esse seria o nome da filha de vocês. O seu celular, ao tocar, após anos, após milhares de vezes, ainda desejará realizar uma ligação de vocês, aonde ela dirá que ainda te espera, e você dirá que está indo buscá-la, assim como em um texto que um dia ela escreveu. Você irá ler, palavra por palavra de tudo que ela escreveu um dia, e se surpreenderá ao ver que ela suplicava por você. Você se sentirá um idiota. Mas ela, ela continuará sendo única. Ela continuará sendo sua. Você continuará sendo dela. Mas a vida continuará. Ela fará um esforço descomunal para te esquecer, talvez, por alguns anos, ou até que toque a música de vocês, conseguirá. Lembrará de vocês com uma pequena tristeza mas com um grande afeto, assim como ela sempre disse, você ainda será a escolha dela, mas infelizmente, a vida lhe deu outras opções … Reticências, sua vida será repleta delas, assuntos não terminados, desejos não obedecidos, o maior e único amor da sua vida, perdido pela sua incapacidade de amar alguém. Você virá um dia para perto da casa dela, pensará uma, duas, três, mil vezes em um jeito de tentar achá-la, de descobrir se após tantos anos, ela ainda irá morar ali. Ela, irá para perto da sua casa, passará na sua rua uma, duas, três, mil vezes, na intenção de que você a veja e diga : ” Finalmente “. Ela passará mesmo na sua rua, porque sempre foi mais decidida que você, você ficará só planejando.”

—  (via algoimprevisivel)

Não nos contaram




Hoje é o momento ideal pra falar de sacanagem. Mas nada de ménage à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito. Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, nem contaram que ninguém vai contar. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém. 

Ciclos




Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se. As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.