27.4.13

Que as coisas se mantenham constantemente inconstantes



Que eu continue com vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, uma lição difícil de ser aprendida. Que eu permaneça com vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que com as voltas do mundo eles vão indo embora de nossas vidas. Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas mesmo sabendo que muitas delas são incapazes dever, sentir, entender ou utilizar essa ajuda. Que eu mantenha meu equilíbrio mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo escurecem meus olhos. Que eu realimente a minha garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes tão fortes quanto sucesso e a alegria. Que eu atenda sempre mais à minha intuição, que sinaliza o que de mais autêntico eu possuo. Que eu pratique mais o sentimento de justiça mesmo em meio à turbulência dos interesses. Que eu manifeste amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige muito para manter sua harmonia. E acima de tudo que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte dessa maravilhosa teia chamada vida criada por alguém bem superior a todos nós! E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos de alguns e sim nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós.
Chico Xavier.  

26.4.13

Você tem experiência?



Num processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: “Você tem experiência?” A redação a seguir foi desenvolvida por um dos candidatos: ”Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um “para sempre” pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: “Qual sua experiência?”. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: Experiência… Experiência… Será que ser “plantador de sorrisos” é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?

25.4.13

Inteiramente sua

 
Eu serei toda sua. Serei sua quando estiver sozinho, quando ninguém quiser escutar sequer uma piadinha sem graça que você conta. Serei sua na cama, quando estiver carente, assistindo um filme romântico, ou até mesmo de terror. Eu serei sua quando as pessoas menos óbvias te deixarem. Te deixarem pelo fato de não te aguentarem mais, ou até mesmo por não suportarem mais as suas piadinhas sem graça e consecutivas. Eu serei sua quando achar algo no chão. Eu serei sua quando tu for dar suas caminhadas de manhã, na expectativa de manter um físico bom. Eu serei sua quando suas recaídas vierem. Eu serei sua quando achar uma caixa de bombons no armário, sem nem fazer ideia de onde aquilo surgiu. Eu serei sua quando você estiver molhado, embaixo do chuveiro, lavando suas partes íntimas e cantando para a sua plateia de mosquitos. Eu serei sua quando ninguém mais confiar que você pode. Porque diferente de todos, eu estarei ali, esperando que tu me agarre. Eu serei sua nos momentos de depressão, quando você achar que o mundo conspira contra você. Eu serei sua em todos os momentos, até nos ruins. Eu estarei do seu lado, esperando que você me agarre com toda a força. Eu serei sua quando lembrares de amores passados. Eu serei sua quando você nem lembrar que eu existo, mesmo achando que se contenta com outras coisas por aí. Eu vou ser sua na cama, quando você estiver dormindo pelado de tanto calor. Eu serei sua quando você surtar com todas as contas. Eu estarei ali, esperando que você finalmente me enxergue. Eu serei sua mesmo quando não tiveres tempo. Eu serei sua quando alguém morrer, nascer e tiver alguma doença. Eu serei até quando menos esperar. Eu serei sua quando me trocar pelo ódio, serei sua quando me trocar pela indiferença, solidão, medo e qualquer sentimento que venha se sobrepor. Eu vou ser tua de qualquer modo. Eu vou ser tua quando estiver fazendo o prato que mais gosta, e quando queima o dedo por um descuido da vida. Eu vou ser tua quando achar uma sombra em uma dia de sol infernal. Eu vou ser tua guia quando estiveres confuso com alguma coisa. Eu vou ser tua quando perderes o ônibus das 7, quando estiver voltando para casa naquele domingo chuvoso. Eu vou ser sua quando sofreres por alguém. Eu vou estar ali. Faz um esforço, por favor. Tenta me enxergar. Eu vou ser sua quando desconfiar até da própria sombra. Eu serei sua quando a música favorita tocar no rádio. Eu serei sua quando você achar uma nota de 20 reais na calça que você não usava há semanas. Eu serei sua quando você estiver aflito, inseguro da vida. Eu estarei ali, esperando que você me agarre, pois eu sempre fui sua. E sempre serei sua. Eu vou ser sua em todos os dias da semana, todas as horas do dia, todos os dias do mês, todos os meses do ano, todos os anos da sua vida. Eu serei sua quando o conflito que você tem consigo mesmo vier. Eu serei sua quando der risada por qualquer coisa. Eu serei sua até quando dormir. Eu serei sua quando tentar ligar para alguém, que acaba em uma tentativa falhada, porque o sinal da operadora não é tão bom assim. Eu serei sua quando o estouro do champagne vier aos seus ouvidos. Serei sua quando o som do soluço vier aos seus tímpanos. Serei sua quando uma lágrima cair, seja de felicidade ou tristeza. Eu serei tua por completa. Só te peço que me enxergue. Faz um esforço. Eu sou sua, me agarra e me faz sua vida também. Eu sou sua e sempre vou ser sua. Eu prometo. Ou eu não me chamo felicidade.
Alugue Felicidade.  

24.4.13

Sobre as palavras e suas vertentes



“Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego. Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento. Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa. Certeza é quando a ideia cansa de procurar e pára. Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista. Vergonha é um pano preto que você quer para se cobrir naquela hora. Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja. Interesse é um ponto de exclamação ou interrogação no final do sentimento. Sentimento é a linguagem que o coração usa quando precisa mandar algum recado. Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes. Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração. Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma. Amizade é quando você não faz questão de si mesmo e se empresta para os outros. Culpa é quando você cisma que podia ser diferente, mas, geralmente, não podia. Lucidez é uma crise de loucura ao contrário. Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato. Vontade é um desejo que pensa que você é a casa dele. Paixão é quando apesar da palavra “perigo”, o desejo chega e entra. Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.”
Mário Prata

23.4.13

A mulher segundo Arnaldo Jabour



É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranquila e saudável, é desencanada e adora dar risada.
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite?
O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade!
Arnaldo Jabour.