As vezes eu preferia ser surda pra não ter que ouvir todo mundo me criticando e me botando pra baixo. Porque parece que é só isso que gente inútil faz. Não podem ver ninguém tentando, ninguém acertando que já querem destruir essa pessoa. Odeio gente assim e o pior de tudo é esse tipo de pessoa que mais me cerca. Porque será que eu nunca atraio ninguém com quem eu possa me sentir bem? Porque? Se alguém souber a resposta por favor me diga, isso já se tornou uma incógnita torturante.
22.2.11
Como é que é
E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.
Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido.
Caio Fernando Abreu
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21.2.11
Vá, mas não volte.
Nós discutimos. Você gritou comigo e bateu a porta logo após a saída. Você não me dava valor, você estava comigo mas pensava nelas, você bebia enchia a cara e só voltava pra casa dois dias depois. Mas mesmo assim eu te amava, tola eu? Sim, uma tola apaixonada que não enxergava nada além do menino que ela amava destruindo a vida dele e a minha em conjunto. Eu deixei você ir e não corri atrás de você. Agora eu quero que você volte e me devolva a metade do meu coração que você levou, depois disso pode voltar a destruir a sua vida. Só que agora sem mim, sem a tola apaixonada que tanto te amava.
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Adolescência
Adolescência. Já menti que estava doente pra faltar aula. Já xinguei a minha mãe no pensamento e depois me arrependi. Já quis mudar de sala por causa de certas pessoas. Já tive inimigos no colégio. Já fiquei sozinho em casa e quis fazer uma festa que nem os Americanos. Já fiquei na internet de madrugada sem a minha mãe saber. Já amei. Já sofri. Isso é inevitável. Já fiz muita merda. Isso também é inevitável. Já quis sair escondida pra ir a alguma festa. Já chorei porque minha mãe não deixou eu ir pra casa de uma amiga. Já me odiaram sem nem me conhecer. Já virei amiga de muita gente que me odiava, e inimiga de pessoas que eu considerava muito. Enfim, isso é só uma fase, então aproveite.
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