11.1.14

Ausências





“As coisas são muito claras. Você tem uma vida, valores, educação, lembranças, consciência. Você tem escolhas, caminhos, passado, presente, futuro. Você tem todas as chances do mundo para escolher como quer viver. Falta ousadia. Falta verdade. Falta sinceridade. Falta vontade. Falta parar de reclamar e olhar para o mundo como ele realmente é. E sei, sei bem, que nem sempre o mundo é amigo. As pessoas podem - e são - cruéis. O mundo muitas vezes nos passa a perna. E a vida segue. Você às vezes se quebra, mas a vida segue. A gente erra, acerta. Ganha e perde. Você pode ter perdido família, amigos, amores. E ter se encontrado. Você pode ter família, amigos, amores. E nunca ter se achado. O que vale, na verdade, não é tudo o que você conquistou ou teve que abandonar. O que vale é a forma como você lida com isso.”

— Clarissa Corrêa.

10.1.14

O álcool e as mulheres






“Os bêbados das três horas da manhã, em todos os Estados Unidos, fitavam as paredes, depois de terem finalmente desistido. Não era preciso ser bêbado para se machucar, para cair sob a mira de uma mulher; mas a gente podia se machucar e se tornar um bêbado. Você podia pensar por algum tempo, sobretudo quando era jovem, que estava com sorte, e às vezes estava mesmo. Mas havia todo tipo de médias e leis em ação das quais você nada sabia, mesmo quando imaginava que tudo ia indo bem. Uma noite, uma quente noite veranil de quinta-feira, você se tornava o bêbado, você estava lá fora sozinho num quarto de aluguel barato, e por mais que tivesse visto isso antes, não adiantava, era até pior, porque você tinha pensado que não teria que enfrentar aquilo de novo. A única coisa que podia fazer era acender mais um cigarro, servir outra bebida, examinar as paredes descascadas em busca de olhos e lábios. O que homens e mulheres se faziam uns aos outros estava além da compreensão.”

— Charles Bukowski

9.1.14

Astrologicamente falando





“Pessoas com Lua em Escorpião são intensas, dramáticas, passionais. Observadoras, convivem com a constante sensação de espreita. Absorvem, mesmo sem saber, o que acontece em outros planos, por debaixo dos panos. Enxergam o visível e o invisível. Lua em Queda, no território de Marte e, por isso, a vida é entendida como a arte da sobrevivência, e sobrevivência é estratégia. Lua feiticeira, negra, sexy ou portadora de faro infalível. Seus nativos costumam cutucar o Escorpião com vara curta. Bruxas, argutas, terríveis, temem e alimentam o perigo. Sempre com o ferrão amado armado, o que deve cansar o emocional de qualquer um e também protegê-los. Acreditam que a vida é prisão e/ou fatal processo de libertação. Misteriosas, silenciosas, manipuladoras, colecionam histórias de paixão, morte e ressurreição. O coração desta Lua transita ora o deserto escaldante ora o gelo do abandono. Acreditam que o mundo é um berço de peçonha e que o veneno mata ou cura, depende do tamanho da poção.”

7.1.14

Ermo




“Não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.”

— Vinícius de Moraes