28.5.13

Atualizando a sua playlist

Dessa vez eu decidi trazer algumas, das centenas de musicas, que eu baixei da metade do mês passado até hoje. Espero que gostem.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ufa, mais diversifica impossível.
 

27.5.13

As Tatuagens Da Cher Lloyd

CHER LLOYD - STICKS & STONES
 
Cher Lloyd é uma cantora, compositora e modelo britânica. Lloyd chegou à fama quando ela participou do reality-show The X Factor UK (na mesma temporada que os meninos do One Direction apareceram) e apesar de ter ficado em 4º lugar está fazendo muito sucesso atualmente, principalmente com os hits Want U Back e Oath. O seu estilo é super despojado e a Cher muda de visual o tempo inteiro! Eu descobrir a Cher logo no seu primeiro vídeo clipe o Swagger Jagger.
Embora seja nova, Cher Lloyd já acumulou uma impressionante quantidade de tatuagens. “Eu só quero ser coberta”, afirmou a cantora de 19 anos. Cher tem 21 tatuagens e continua fazendo mais. Quando foi perguntada sobre sua tatuagem favorita, Cher respondeu “Eu não tenho uma tatuagem favorita. Eu gosto de todas as minhas tatuagens.”
Apesar das críticas, Cher é bem decidida na sua decisão de ser tatuada. “Eu não acho que eu vou me arrepender de alguma delas,” ela diz. “Eu sei que as pessoas dizem ‘e quando você ficar velha e coberta de tatuagens?’ – e daí. De qualquer forma, quando os anos passarem todo mundo terá tatuagens e será tendência, não é? Porque você não sabe como os tempos vão mudar.”
Ela aprecia a natureza expressiva das tatuagens. “Eu acho que tatuagens são como obras de arte." “Elas expressam muito, e é por isso que eu as tenho.” As tatuagens de Cher contam sua história.
 
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Bolsillo lleno de sueños (bolso cheio de sonhos). Quando: Não se sabe. Significado: A frase vem da letra da música Empire State Of Mind (Part II) da cantora Alicia Keys. Apesar do trecho ser em inglês, um ex-namorado da cantora falou que ela gostava muito da música e simplesmente gostou do trecho na língua espanhola ao invés da original.
 
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Ponto de interrogação. Quando: Janeiro de 2011. Significado: Não se sabe.
 
 
Pássaro. Quando: Março de 2011. Significado: É a tatuagem que combina com a da gaiola, homenagem ao seu tio que morreu. A faixa tem o nome “boo” que era o seu apelido.
Gaiola aberta. Quando: Março de 2011. Significado: Essa tatuagem completa outra que fica no braço direito. Foi uma homenagem ao seu tio que morreu de uma overdose acidental em 2010, quanto tinha 34 anos.
 
 
Símbolo da paz. Quando: Março de 2011. Significado: Não tem mas é um símbolo bem universal e várias pessoas gostam de tatua-lo.
 
 
Borboletas. Quando: Maio de 2011. Significado: Não se sabe mas foi um complemento às tatuagens anteriores do braço. As borboletas e os “ventos” praticamente fecham o braço da Cher.
 
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 Craig ♥. Quando: Maio de 2012. Significado: É o nome do seu noivo, Craig. Ele tem o nome Cher escrito no braço.
 
 
4 naipes do baralho. Quando: Não se sabe. Significado: matching tattoo com o seu noivo

Daddy ♥ (papai). Quando: Março de 2011. Significado: Obviamente, uma prova de amor ao seu pai.

Laço. Quando: Abril de 2011. Significado: Não tem, a cantora deve ter achado bonito e resolveu tatuar.

 
All that you have is your soul (tudo que você tem é a sua alma). Quando: Após sair do The X Factor (2010). Significado: É o título de uma música da cantora Tracy Chapman, que é a favorita de sua mãe.
 
 
You are my sunshine / My only sunshine (você é a minha luz do sol, minha única luz do sol). Quando: Não se sabe. Significado: Ao que tudo indica foi feita para o seu noivo (namorado naquele momento) já que ela twittou o trecho para ele alguns meses depois de fazer a tatuagem.
 
C dentro de um coração. Quando: Não se sabe. Significado: C de Craig. Quanto amor!
 
 
Caveira Mexicana (e uma rosa em cima). Quando: Julho de 2011. Significado: Ela nunca falou à respeito dessa tatuagem embora seja bem chamativa. É uma das minhas favoritas!
 
 
Olho com lágrima e  Redemoinhos preenchem o espaço entre o olho e a gaiola acima dele.. Quando: Recentemente. Significado: Não tem.
 
 
Coração. Quando: Março de 2011. Significado: O coração foi feito no dedo onde fica a aliança e é uma das várias tatuagens que (possivelmente) se referem ao seu noivo, Craig Monk.
 
Clave de Sol e notinhas musicais. Quando: Não se sabe. Significado: A Cher nunca falou nada da tatuagem mas ao que tudo indica ela significa o seu gosto pela música já que ela faz parte de sua carreira.

 
Diamante. Quando: Janeiro de 2011. Significado: Representar o seu sucesso no programa The X Factor.
 
Cher Lloyd Shh finger tattoo
 
SHH… Quando: Não se sabe. Significado: É igual a da cantora Rihanna, provavelmente ela gostou da ideia.
 
 
 
Laço. Quando: 2010. Significado: Uma das mais antigas tatuagens da Cher e a única em sua parte inferior das costas. Eu tenho uma fita grande, como um laço, diz ela. Esta tatuagem não é mostrada, muitas vezes, mas ela pôde ser vista em seu Swagger Jagger vídeo da música.
 
Cher Lloyd stick figure ankle tattoo
 
 
Bonequinho de palito. Quando: Fevereiro de 2012. Significado: Não tem.
 
Ufa, apesar da pouca idade a Cher conseguiu superar a minha queridinha Rihanna no quesito tattos. Pelo menos por enquanto.
 
E por ultimo o mais recente vídeo clipe da Cher pra vocês curtirem, beijos.
 
 


26.5.13

Mas a verdade é que eu odeio o equilíbrio



“Semana passada ouvi de um grande amigo uma grande verdade: “Chega uma hora na vida que você tem que abrir mão do selvagem dentro de você para manter amigos, empregos e constituir família. Ou você pode escolher ser um louco e viver sozinho.”

No meu último emprego, quando pedi demissão, ouvi do meu chefe, também um grande homem em raras ocasiões: “Toda essa sua mania de ser louquinha e falar o que pensa, só vai te garantir um emprego fixo: banda de rock.”

Acho que todos têm razão. E venho tentando, com orações dadas pela minha mãe desesperada com meu jeitinho nada meigo, yoga, terapia, sexo, pilates, mantras e muita conversa com amigos em geral, ser uma pessoa mais equilibrada.

Uma amiga me disse: “Quem briga por tudo e quer medir poder com todo mundo, na verdade está tentando provar que não é um bosta, tá brigando consigo mesmo”.

Pura verdade, quando minha auto-estima está em suas piores fases, é aí que a coisa pega: fico com mania de perseguição, acho que tá todo mundo querendo foder comigo, que existe um complô universal contra a minha frágil pessoa. Meu ataque nada mais é do que a defesa amedrontada de uma menina boba.

Mas a verdade é que eu odeio o equilíbrio. Porra, se eu tô puta, eu tô puta! Se eu tô com ciúme, não vou sorrir amarelo e mostrar controle porque preciso parecer forte e bem resolvida. Se o filho da puta que senta do meu lado é um filho da puta, eu não vou fazer política da boa vizinhança, eu vou mais é berrar e libertar essa verdade de dentro do meu fígado: você é um grandessíssimo filho de uma puta! Se a vaca da catraca do teatro me tratou mal, eu vou mais é falar mesmo que ela é uma horrorosa que não vê pica há anos.

O sangue ferve aqui dentro, e eu não tô a fim de transformá-lo num falso líquido rosa que um dia vai me dar um câncer. Eu não tô a fim de contar até 100, eu quero espancar a porta do elevador se ele demorar mais dois segundos, quero morder o puto do meu namorado que apenas sorri seguro enquanto eu me desfaço em desesperos porque amar dói pra caralho, quero colocar TODAS as pessoas do meu trabalho que falam “Fala, floRRRR!” ou “Precisamos disso ASAP” numa câmera de gás peristáltico.

Eu sou antipática mesmo, o mundo tá cheio de gente brega e limitada e é um direito meu não querer olhar na cara delas, não tô fazendo mal a ninguém, só tô fazendo bem a mim. Minha terapeuta fala que eu preciso descobrir as outras Tatis: a Tati amiga, a Tati simpática, a Tati meiga, a Tati que respira, a Tati que pensa, a Tati que não caga em tudo porque deixou a imbecil da Tati de cinco anos tomar as rédeas da situação.

Ela tem razão, mas é tão difícil ver todos vocês acordando de manhã sem nada na alma, é tão difícil ver todos os casais que só sobrevivem na cola de outros casais que só sobrevivem na cola de outros casais, é praticamente impossível aceitar que as contas do final do mês valham a minha bunda sentada mais de 8 horas por dia pensando o quanto eu odeio essa gente que se acha “super” mas não passa de vendedor de sabonete ambulante.

É tão difícil ser mocinha maquiada em vestido novo e sapato bico fino quando tudo o que eu queria era rasgar todos os enfeites e cagar de quatro no meio da pista enquanto as tias chifrudas bebem para esquecer as dúvidas ao som de “Love is in the air”.

Parem de sorrir automaticamente para tudo, humanos filhos da puta, admitam que vocês não fazem a menor idéia do que fazem aqui. Admitam a dor de estar feio, e admitam que estar bonito não adianta porra nenhuma.

Eu já me senti um lixo de pijama com remela nos olhos, mas nunca foi um lixo maior do que me senti gastando meu dinheiro numa bosta de salão de beleza enquanto crianças são jogadas em latas de lixo porque a total miséria transforma qualquer filho de Deus em algo abaixo do animal.
Mas eu não faço nada, eu continuo querendo usar uma merda de roupinha da moda numa merda de festinha da moda no meio de um monte de merdas que se parecem comigo. Eu quero feder tanto quanto eles para ser bem aceita porque, quando você faz parte de um grupo, a dor se equilibra porque se nivela.

E eu continua perdida, sozinha, achando tudo falso e banal. Acordando com ressaca de vida medíocre todos os dias da minha vida.

Grande merda de vida, você muda a estação do rádio para não reparar que a menina de dez anos parada ao lado do seu carro, já tem malícia, mas não tem sapatos. Você dá mais um gole no frisante para não reparar que a moça da mesa ao lado gostou do seu namorado, e ele, como qualquer imperfeito ser humano normal, gostou dela ter gostado.

Você disfarça, a vida toda você disfarça. Para não parecer fraco, para não parecer louco, para não aparecer demais e poder ser alvo de crítica, para ter com quem comer pizza no domingo, para ter com quem trepar na sexta à noite, para ter quem te pague a roupa nova e te faça sentir um bosta e para quem te pede socorro, você disfarça cegueira.

Você passa a vida cego para poder viver. Porque enxergar tudo de verdade dói demais e enlouquece, e louco acaba sozinho. Vão querer te encarcerar numa sala escura e vazia, ninguém quer ter um conhecido maluco que lembra você o tempo todo da angústia da verdade e de ter nascido. Você passa a vida cego, mentindo, fingindo, teatralizando o personagem que sempre vence, que sempre controla, que sempre se resguarda e nunca abre a portinha da alma para o mundo. Só que a sua portinha um dia vira pó, e você morre sem nunca ter vivido, e você deixa de existir sem nunca ter sido notado. Você é mais uma cara produzida na foto de mais uma festa produzida, é um coadjuvante feliz dessa palhaçada de teatro que é a vida.

Você aceitou tudo, você trocou as incertezas da sua alma pelas incertezas da moça da novela, porque ver os problemas em outros seres irreais é muito mais fácil e leve, além do que, novela dá sono e você não morre de insônia antes de dormir (porque antes de dormir é a hora perfeita para sentir o soco no estômago).

Você aceita a vida, porque é o que a gente acaba fazendo para não se matar ou não matar todos os imbecis que escutam você reclamar horas sem fim das incertezas do mundo e respondem sem maiores profundidades: relaaaaaaaaaaaaaxa!

Eu não vou fumar, eu não vou cheirar, eu não vou beber, eu não vou engolir, eu não vou fugir de querer me encontrar, de saber que merda é essa que me entristece tanto, de achar um sentido para eu não ser parte desse rebanho podre que se auto-protege e não sabe nem ao certo do quê. Eu não vou relaxaaaaaaaaaaaaaaaaaar.

A única verdade que me cala um pouco e, vez ou outra, me transforma em alguém estupidamente normal é que virar um louco selvagem que fala o que pensa, sem amigos e sem namorados, só é legal se você tiver alguém pra contar o quanto você é foda no final do dia.

— Tati Bernardi

14.5.13

DDD



Me deu uma vontade de te ligar. Mas sei lá, sou eu que estou precisando me achar no conforto da sua voz e você provavelmente não esta querendo ouvir mais lamentações. Como se eu também não tivesse deletado todos os seus números, sim, todos os 6! Porque o número da sua casa ainda esta no meu celular, salvo apenas com as iniciais do seu sobrenome para que quando eu passe rapidamente por ele atrás do número de um possível futuro dono do meu coração, eu não sinta nada. E eu já fiz isso, e não doeu nada, nadinha e por uns 8 segundos eu fiquei me perguntando quem seria aquele ser, salvo na minha agenda com apenas 3 letras no nome, foi quando eu fui olhar o número e lá estava o DDD que traria tudo a tona. Vê se pode?! É meio coisa de novela, mas minha vida é meio assim mesmo, por mais absurdo e inacreditável for algo, mais esse algo tem chance de se materializar no roteiro da minha vida. Mas aí eu dei graças a Deus por aquele número ter sobrevivido a minha tentativa de me desprender de você "Vai que um dia eu precise ligar para ele!" Quem sabe, num desses sábados vagos e sem sentido que eu tento me perder de mim numa dessas festas lotadas de gente vazia e bebidas cada vez mais amargas, não sei se as bebidas estão ficando cada vez piores ou se foi a falta de você que fez uma coisa ruim ficar pior. Já dizia Carlos Drummond de Andrade “Fácil é ocupar um lugar na agenda telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém.” Então eu só posso lhe desejar com um imenso pesar, parabéns. Não só por ter ocupado mais de uma posição na minha lista telefônica mas por também se fazer eterno no meu coração.


 

9.5.13

Direto do Planeta Solidão

 

Lá estou eu em mais uma mesa com taças de vinho pela metade, risos pela metade, fumaças desenhando algo que quase formou uma imagem, restos de couvert e bolinhas inacabadas e nervosas de guardanapo.

Olho pro lado e sinto uma saudade imensa, doída, desesperançada e até cínica. Saudade de alguma coisa ou de alguém, não sei. Talvez de mim, de algum marido fabuloso que eu tive em alguma encarnação, do útero da minha mãe, do meu anjo da guarda que está de férias em Acapulco, do meu avô que embrulhava sempre meu aparelho de dentes em um guardanapo e depois esquecia e jogava no lixo achando que era resto de algum lanchinho, de algum amor verdadeiro que durou um segundo, de uma cena perfeita que meu inconsciente formou na infância e que eu me encarreguei de acreditar como sendo meu futuro.

Meus amigos me adoram e certamente chorariam se eu morresse. Mas será que eles sabem que eu penso sempre na morte? Será que eles sabem que aquela garota alí no canto da mesa, de decote, de bolsa da moda, rindo pra caramba, contando mais uma de suas aventuras vazias e descartáveis, acorda todos os dias pensando: o que eu realmente quero com essa vida? Como eu faço pra ser feliz?

Será que eles sabem que se eu estou morrendo de rir agora, daqui a pouco vou morrer de chorar? E vice-versa? E isso 24 horas por dia? E isso mesmo com terapia, mesmo com macumba, mesmo com espiritismo, mesmo com meditação, mesmo com o namoradinho da semana. Será que eles sabem o tanto que eu sofro e o tanto que eu não sofro a cada segundo?

Meus amigos me adoram. Mas sempre que podem, tiram sarro da minha cara. Sempre que podem, me transformam na chacotinha da mesa: Tati não sabe nadar, Tati não se droga, Tati não bebe, Tati expõe sua vida no site dela, Tati não arruma ninguém que a ame de verdade porque é louca, Tati assusta os caras, Tati é boba e se apaixona sempre, Tati não leva ninguém a sério, Tati explode por tudo, Tati fala demais, Tati fala palavrão, Tati reclama demais…

Minha melhor amiga me ama muito, mas ela adora que eu seja o erro em pessoa só para ela se sentir o acerto em pessoa. Meu melhor amigo me chamou de infeliz um dia e eu nunca mais consegui rir da infelicidade dele. Meu outro amigo me adora, muito, mas se pudesse, de verdade, ele trepava comigo a noite inteira e nem me ligava no dia seguinte. Meus amigos me amam, muito, mas nem o máximo de amor de uma pessoa chega perto do que deveria ser amor. Amor não significa mais amor. E eu, mais uma vez, olho para o lado morrendo de saudade dessa coisa que eu não sei o que é. Dessa coisa que talvez seja amor.

Sinto um nojo enorme e desesperador de todos os afetos em pílulas que posso ganhar. Fulano me acha a melhor companhia do mundo mas, pensando bem, ele pode desfilar com modelos por aí. Fulano pensa em mim todos os dias mas, pensando bem, ele tem que curtir a vida com seu carro novo. Fulano se diverte horrores comigo mas, pensando bem, ele também curte aquela tia tatuada que eu nem sei quem é e no fundo to pouco me lixando. Fulano passeou de mãos dadas comigo naquele fim de tarde que mereceu nossos aplausos, mas, quer saber? Viram ele dois dias depois de dormir na minha casa com outra numa festa. Fulano me apresentou para todos os amigos e encheu minha geladeira de comida mas, quer saber, putz, qualquer garotinha do bar dos pseudo-intelectuais malas também pode ser interessante ou, caso não seja, ao menos tem um buraco. Odeio todas as minhas pílulas, odeio todos os amores baratos, curtos e não amores que eu inventei só para pular uma semana sem dor. A cada semana sem dor que eu pulo, pareço acumular uma vida de dor. Preciso parar, preciso esperar. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar e mais ainda a dor que vem depois dos dias entorpecidos.

Eu invento amor, sim. E dói admitir isso. Mas é que não aguento mais não dar um rosto para a minha saudade. E não aguento mais os copos, as fumaças, os amigos, as intenções e as bolinhas de guardanapo pela metade. É tudo pela metade. Ao menos a minha fantasia é por inteiro. Enquanto dura.

No final bruto, seco e silencioso da melhor festa do mundo que nem começou, é sempre isso mesmo. Eu aqui tomando meu chá mate limão meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. Aí eu limpo a maquiagem com creme anti-sinais e percebo que não faz o menor sentido ser uma criança chorona preocupada com rugas. Aí eu me acho louca porque só tem duas coisas que eu realmente queria nesse mundo: um filho ou voltar a ser filha. E aí eu deito pra dormir e penso em sacanagem, mas também penso em coisas bonitinhas. E eu rezo pedindo a Deus que não espere mais eu ser legal para ser legal comigo, porque eu to esperando ele ser legal comigo para ser legal. Aí eu penso que ele já é legal comigo e que, talvez, eu já seja legal com ele. E que tá tudo bem. Mas se eu penso que tá tudo bem nesse segundo, isso só significa que vou pensar o oposto no segundo seguinte. E que eu escrevi “ele” sem maiúscula mesmo, porque amigo íntimo a gente não fica com essa coisa de endeusar. E eu queria que Ele fosse meu amigo íntimo, ou ao menos existisse. E quando vou ver, já dormi. Sozinha.

Tati Bernardi